• 16 de setembro de 2026 23:43

Olimpíada premia os 20 melhores professores de Matemática do País com viagem à China

ByGabriela Andrighi

nov 4, 2025
No dia 8 de novembro, em um evento online, e no dia 10 de dezembro, em uma solenidade presencial no Ministério da Educação, serão premiados os 20 melhores professores de Matemática do País. Eles conquistaram a categoria Ouro na segunda edição da Olimpíada de Professores de Matemática do Ensino Médio (OPMBr) e plantam a semente para mudar a relação dos alunos com a disciplina e elevar a posição do Brasil no ranking mundial.
O Brasil ocupa hoje a 65ª posição no ranking que avalia o ensino da Matemática em 81 países do mundo, de acordo com o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA). A posição, nada louvável, tem como contraponto um outro dado: o mesmo país que ensina e aprende mal a Matemática no dia a dia das salas de aula do País é parte da elite da Matemática mundial (nível 5 da Internacional Mathematical Union – IMU), com pesquisadores e professores reconhecidos mundialmente.
A equação mal resolvida mobilizou um grupo de engenheiros do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) na criação da Olimpíada de Professores de Matemática do Ensino Médio (OPMBr), que está em sua segunda edição, com objetivo de reconhecer e valorizar aqueles que nadam contra a maré agora e fazem a diferença ao ensinar Matemática pelo país a fora.
E, agora, é chegada a hora de conhecer os 20 vencedores na categoria ouro, que serão premiados com uma viagem à China para uma imersão em escolas e universidades que são referência no ensino da Matemática. O número – que, na primeira edição, foi apenas de 10 de professores, foi ampliado, levando em conta a qualidade dos finalistas e a parceria firmada com a Shanghai Normal University (SHNU), que permitiu dobrar o número de premiados.
Um evento online – para facilitar a participação de inscritos de norte a sul do País – marca a divulgação dos resultados, no dia 8 de novembro. Depois, em 10 de dezembro, eles serão recebidos no Ministério da Educação para solenizar a premiação.
“Os 20 premiados na categoria ouro só serão conhecidos no dia 8. Participaram da Olimpíada cerca de 1,2 mil professores do País. Entre os 40 finalistas, há representantes de diversos estados do País como Minas Gerais, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Piauí, Ceará, entre outros”, explica Adauto Caldara, membro do Conselho Gestor da Olimpíada.
Como prêmio, em maio de 2026, os 20 professores da categoria ouro participarão de um intercâmbio técnico e cultural de 15 dias a Xangai para conhecer o Centro de Educação para Professores da Unesco (TEC Unesco) na Universidade Normal da China, levando em conta que o país figura sempre entre os de melhor desempenho no PISA.
“Na primeira edição, conseguimos levar os 10 professores da categoria ouro. Este ano, vamos levar 20. É uma oportunidade ímpar de imersão, aprendizado e troca de conhecimento. Nosso objetivo é reconhecer e valorizar iniciativas bem-sucedidas no ensino da Matemática em todo o País, de forma a disseminá-las, trabalhando para melhorar a qualidade do ensino da disciplina e, assim, contribuindo para alavancar a posição do Brasil no ranking mundial, a médio e longo prazo”, considera.
Depois da viagem de premiação, os professores selecionados vão ministrar workshops de Matemática para outros docentes, de cidades definidas em parceria com o Ministério da Educação.
O processo de avaliação dos professores participantes incluiu três etapas: uma prova, uma apresentação em vídeo ilustrando o trabalho desenvolvido em sala de aula e uma entrevista que teve, entre os avaliadores, o professor Cristovam Buarque, que é membro do Conselho Acadêmico da OPMBr.

Conheça alguns professores

Quando a matemática vira elo e tema de conversa em família
No grupo de finalistas, sobram histórias de amor à Matemática e ao ensinar-aprender. Wanessa Aparecida Trevisan de Lima é professora de um Instituto Federal de São Paulo (IFSP), em Suzano, próxima à cidade onde mora, Poá. Ela lembra que sempre gostou de Matemática, mas que a decisão de seguir a carreira veio apenas no ensino médio. “Falei com um professor de Matemática que queria ser como ele. E ele me respondeu com um ‘tá louca, menina?!’”.
Para Wanessa, o “incentivo” – ou a falta dele – não foi seu maior problema. “Toda a minha vida escolar foi feita em escolas públicas. Na época do vestibular, fiz um cursinho comunitário focado na USP e consegui passar. Mas, no início da graduação, fora muitas dificuldades. Eu sentia muita vergonha porque não tinha a base que meus colegas já possuíam. Uma vez, um professor, sem citar meu nome, usou uma prova minha como exemplo negativo. Foi muito pesado. Mas eu decidi seguir e estudar”, conta.
E o resultado do esforço veio. “Recuperei as notas e terminei o curso com a melhor média histórica da turma, com notas acima de 9,0. Recebi, inclusive, uma Menção Honrosa, que emoldurei e fica na parede da minha casa”, diz.
Como professora, Wanessa busca fazer o oposto do que fizeram alguns de seus professores. “Eu me coloco bastante disponível, quero que os alunos compreendam a magia e as possibilidades da Matemática, e não que desistam por causa dela. A unidade do IFSP onde leciono oferece, por exemplo, programas dentro do EJA (Educação de Jovens e Adultos) e muitos chegam com verdadeiros traumas em relação à matéria. Dou aula pra mãe e filho e me realizo quando vejo que a Matemática se transformou em elo entre eles, pautando, inclusive, as conversas do dia a dia”, conta, satisfeita.
Aos 40 anos e há 17 atuando como professora de Matemática, Wanessa tem turmas em todas as faixas etárias e gosta da possibilidade de levar o conteúdo matemático para grupos diversos. “O instituto federal onde leciono tem muitas ações voltadas para a comunidade, o que me permite desenvolver cursos inclusive para ensino fundamental 1 e 2 e para o ensino médio, além das turmas do EJA, dos cursos técnicos e do ensino superior. Aposto na metodologia e busco motivar e despertar o interesse para essa disciplina tão apaixonante. Quando os estudantes percebem isso, tudo muda”, afirma.

Medalha, computador e visita à universidade = uma professora de Matemática

A professora Ruana Maria Schneider é outra finalista e afirma que a participação em olimpíadas quando era uma estudante despertou seu amor pela Matemática.
“Fiquei em primeiro lugar em uma olimpíada realizada apenas na minha cidade, Jaraguá do Sul, em Santa Catarina, e ganhei uma medalha e um computador de prêmio. Tinha 13 anos. Mas o maior presente, que mudou tudo, foi a possibilidade de ir até o campus da universidade federal em Florianópolis. Aquele ambiente de ensino e pesquisa me encantou de forma definitiva. Ali eu escolhi qual seria a minha trajetória”, diz a professora que hoje mora e leciona em Farroupilha, no Rio Grande do Sul.
Depois, Ruana seguiu estudando, participando de Olimpíadas e hoje leciona em um programa que promove encontros de Matemática entre os alunos para a resolução de problemas. “Em geral, só participam do programa alunos já premiados com medalhas em olimpíadas, mas aqui abrimos vagas também para alunos voluntários que têm interesse pela Matemática, mesmo não sendo medalhistas. O município de Farroupilha teve 96 premiados na OBMEP 2024, e a cidade tem apenas 70 mil habitantes”, conta, com orgulho.
Como metodologia, ela usa muitas atividades práticas. “Fazemos medições de alturas com trigonometria, trabalhamos com jogos matemáticos, usamos materiais concretos em geometria, entre outras atividades. O que quero é vencer aquela história de que o aluno acha difícil porque não gosta da Matemática ou não gosta da Matemática porque acha difícil, e transpor resistências a partir do encantamento que surge quando se compreende”, ressalta.

Realizando sonhos e garantindo medalhas

Gerson Misael Sousa Oliveira, professor de Matemática da cidade de Batalha, no Piauí, tinha o sonho de, enquanto estudante, conquistar uma medalha em uma Olimpíada de Matemática. Recebeu três menções honrosas em 2006, 2010 e 2011, mas a medalha em si não veio como aluno.
“Como professor, também me dedico a preparar meus alunos para a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) e os resultados vieram. Comecei em 2015 e, em 2021, tive meu primeiro aluno premiado com um bronze. Em 2023, somando as olimpíadas de Matemática das quais participamos, foram 23 medalhistas, incluindo um ouro. Eu realizei meu sonho por meio deles e isso também é muito gratificante”, conta Gerson.
Filho de uma professora da educação básica que foi mãe solo e neto de um pedreiro, ele lembra que cursou toda a sua trajetória do ensino fundamental e médico em escolas públicas.
“Sou um apaixonado pela Matemática e sinto que posso fazer minha parte para que outros estudantes também se encantam. Para isso, trabalho com gamificação, quiz e desafios lúdicos. Estudo bastante e mostro que a Matemática não é o ‘bicho-papão´ que muitos consideram”, diz ele, que agora vive a expectativa de conquistar sua própria medalha no dia 8 de novembro, quando sai o resultado da OPMBr.
Saiba mais.

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